
A Ascensão da Extrema Direita e o Papel das Big Techs na
O crescimento da extrema direita na Alemanha e o impacto das big techs na democracia trazem lições importantes para o Brasil, especialmente em tempos de eleição.
Fernando Vargas · 2 de novembro de 2026 · 5 min de leitura
O cenário atual na Alemanha e suas implicações
Recentemente, a situação política na Alemanha tem se mostrado alarmante, especialmente com o crescimento da Alternativa para a Alemanha (AfD), um partido de extrema direita que dobrou sua votação nas últimas eleições. Durante uma conversa na Fundação Friedrich Ebert, em São Paulo, os parlamentares alemães Armand Zorn e Elisabeth Kaiser relataram suas preocupações com a ascensão desse partido e os possíveis impactos que um governo de direita poderia ter sobre a democracia e as políticas sociais e climáticas na Europa.
Zorn e Kaiser destacaram que a insegurança gerada por mudanças econômicas, a guerra na Ucrânia e a inflação são fatores que contribuem para o aumento do apoio à AfD. Muitas pessoas que experimentaram uma certa estabilidade agora temem perder suas conquistas e veem os imigrantes como bodes expiatórios. Essa transformação da insegurança em ressentimento é uma estratégia que a AfD utiliza para ganhar adeptos, apresentando-se como a única solução para os problemas do país.
O papel das big techs
Além da questão política, os parlamentares também discutiram o Impacto das grandes empresas de tecnologia na democracia. Kaiser apontou que algoritmos digitais muitas vezes favorecem a disseminação de informações polarizadoras, o que pode minar a confiança pública nas instituições democráticas. O apoio de figuras como Elon Musk à extrema direita e a aproximação de Mark Zuckerberg com Donald Trump exemplificam essa preocupação.
A União Europeia já começou a regular as big techs, exigindo maior transparência nas práticas publicitárias e proteção dos processos eleitorais. No Brasil, um projeto de lei está sendo discutido para dar mais poderes ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para lidar com práticas anticoncorrenciais por parte dessas grandes empresas, embora enfrente resistência de setores empresariais e pressões externas.
Por que isso importa
Os desafios enfrentados pela Alemanha oferecem lições valiosas para o Brasil. Para fazer frente ao crescimento da extrema direita, é essencial que o governo brasileiro invista em educação, inovação e a promoção de empregos dignos. Apenas criticar o autoritarismo não é suficiente; é preciso construir alternativas concretas que melhorem a qualidade de vida da população.
A sociedade civil no Brasil tem se mobilizado para exigir não apenas a regulação das big techs, mas também um ambiente digital que priorize o interesse público. Propostas como a criação de um marco legal para a inteligência artificial e a fiscalização de algoritmos são passos importantes para garantir um espaço democrático mais saudável.
O que vem a seguir
A discussão sobre a ascensão da extrema direita e o impacto das big techs na democracia é urgente e deve ser uma prioridade para os formuladores de políticas no Brasil. À medida que se aproxima uma nova eleição, é crucial que as lições da Europa sejam consideradas. O fortalecimento da democracia depende de nossa capacidade de oferecer alternativas concretas às demandas sociais e de garantir a transparência no uso das tecnologias. Assim, o Brasil pode evitar o terreno fértil para a extrema direita que se vê em outros lugares do mundo, como a Alemanha.