Vestido de Mãe Bernadete agora faz parte do acervo do Museu
O vestido de Mãe Bernadete, líder quilombola assassinada em 2023, foi doado ao Museu Nacional, simbolizando a resistência e a luta por direitos das comunidades quilombolas.
Adrián Gómez · 2 de novembro de 2026 · 4 min de leitura
Doação simbólica ao Museu Nacional
O Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, recebeu uma importante doação que reforça a memória das comunidades quilombolas. O vestido branco com detalhes em azul que pertenceu a Mãe Bernadete, uma respeitada ialorixá e líder da Comunidade Quilombola de Pitanga de Palmares, foi entregue pelo seu filho, Jurandy Pacífico dos Santos. A cerimônia ocorreu durante a 3ª edição do evento Diálogos da Reconstrução, que teve como tema ‘Memórias, Saberes e Patrimônios Quilombolas’.
Mãe Bernadete foi brutalmente assassinada em 2023, e sua indumentária não representa apenas uma peça de vestuário, mas sim um símbolo de resistência e luta pelos direitos humanos e pela valorização da cultura afro-brasileira. Jurandy enfatizou a importância da doação, afirmando que ela transcende o objeto em si, representando a ancestralidade e a luta de sua mãe por justiça e reconhecimento.
Preservação da memória
O Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), busca promover o reconhecimento e a preservação das memórias quilombolas. Segundo a instituição, a doação do vestido integra um esforço maior para ampliar a representação dessas histórias no acervo do museu, ressaltando a importância de manter vivas as práticas e saberes das comunidades tradicionais.
Jurandy Pacífico dos Santos destacou que a indumentária de sua mãe agora faz parte de um dos mais relevantes espaços culturais do Brasil, permitindo que futuras gerações conheçam a trajetória de Mãe Bernadete e a resistência dos povos quilombolas. Para ele, essa entrega é um reconhecimento histórico que fortalece a cultura afro-brasileira e a luta contínua desse povo, frequentemente marginalizado.
Por que isso importa
A doação do vestido de Mãe Bernadete ao Museu Nacional é um passo significativo para a preservação da história e da cultura quilombola no Brasil. Este ato não apenas homenageia a vida de uma mulher que dedicou sua vida à luta por direitos, mas também serve para educar o público sobre a importância das comunidades quilombolas e suas contribuições à sociedade brasileira. Além disso, a presença de tal indumentária em um museu de renome permite que mais pessoas conheçam e respeitem a rica herança cultural afro-brasileira.
O que vem a seguir
A partir dessa doação, o Museu Nacional planeja continuar promovendo diálogos com lideranças quilombolas e outras comunidades tradicionais, buscando formas de representar suas histórias e conhecimentos de maneira justa e adequada. O evento Diálogos da Reconstrução promete ser um espaço contínuo para discussões sobre a cultura, a identidade e a memória das comunidades quilombolas, assegurando que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas. A luta por reconhecimento e valorização cultural continua viva, assim como a memória de Mãe Bernadete.
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